Reinventando a Bahia

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ruiz
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Reinventando a Bahia

Mensagem por ruiz » 07 Nov 2007, 08:46

LUIS NASSIF

No longo período de reinado de ACM, a Bahia se tornou um paradoxo. De um lado, algumas medidas inovadoras de gestão e a montagem de uma máquina moderna de arrecadação e de um turismo profissionalizado. De outro, um território fechado para muitos setores, tudo tendo de passar pela mediação de ACM, que até alguns anos atrás mantinha controle absoluto sobre os demais poderes.

Grandes obras públicas tinham dono. Não houve praticamente concessão para as jazidas mineirais. O interior foi completamente abandonado em favor de Salvador. E grandes empresários baianos tiveram que se mudar do Estado para conseguir oxigênio.

Alguns pólos floresceram, como o de informática e celulose em Ilhéus, as plantações de algodão e café. E o
turismo, que transformou Salvador em uma das portas de entrada do turismo internacional. A um custo alto,
chegou a Ford. Mas a logística ficou para segundo plano. E a privatização da petroquímica tirou o dinamismo da Central Petroquímica de Camaçari.

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A estratégia do governador Jacques Wagner ainda não está clara. Mas dá para identificar algumas futuras linhas mestras.

Uma delas está ligada à descompressão política do estado. Para a Secretaria de Desenvolvimento, Wagner trouxe um empresário incumbido da interlocução com as associações empresariais.

O PPA (Plano Plurianual) foi montado com consultas aos diversos grupos sociais. E o governador instituiu um Fórum dos Três Poderes, juntando o presidente da Assembléia Legislativa e do Poder Judiciário. Apenas no ano 2000 o Poder Judiciário se desvencilhou da influência carlista. Até então, era impossível qualquer tipo de iniciativa privada autônoma na Bahia. Quem não se curvasse à política, era dobrado pela Justiça.

Outro avanço foi abrir as contas do Estado através da Internet, a quem quiser consultar. Antes, mesmo a Assembléia Legislativa tinha dificuldade em acessar os dados.

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Um segundo ponto será o investimento em infra-estrutura logística. Nas últimas décadas a Bahia conseguiu avançar em várias frentes sobre outros estados nordestinos. Mas a logística acabou passando ao largo da Bahia e os investimentos se concentrando em Pernambuco.

A aposta de Wagner é no PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) e na retomada dos investimentos ferroviários, no portuário, aproveitando o calado da Baia de Todos os Santos, e nas duas BRs que atravessam o estado.

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A logística será relevante para três apostas de interiorização do desenvolvimento. Uma, no agronegócio que está se formando na região oeste do estado. A Bahia já se tornou a primeira produtora de algodão do país, uma das maiores em café e começa a receber a cana. A região era tão abandonada que eclodiu um movimento separatista visando criar o Estado do São Francisco.

Outra área será na mineração, especialmente o setor de mármore, no qual a Bahia tem algumas das maiores jazidas e nenhum tipo de agregação de valor. Finalmente, a fruticultura, ao norte do Estado, na região irrigada de Juazeiro.

Finalmente, no plano cultural, a tentativa de montar uma indústria do cinema, para complementar a indústria de música e de shows que já viceja no Estado.
José Ruiz
JR&A
Esqueça os rótulos. Seus atos são inclusivos ou excludentes? É tudo que eu preciso saber a seu respeito.
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