Desabamento na Barroquinha revela descaso

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Desabamento na Barroquinha revela descaso

Mensagem por bahiacorretagem » 24 Abr 2008, 08:56

O prédio de nº 2, na Ladeira da Barroquinha, que desabou na madrugada desta quarta-feira, 23, já estava condenado pela Coordenação de Defesa Civil de Salvador (Codesal) desde 28 de agosto do ano passado. Proprietária do imóvel, a Associação dos Caixeiros Viajantes da Bahia tinha sido notificada pela Sucom (Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município) para que desocupasse o local e fizesse as reformas.

Num levantamento técnico feito no ano passado pela Codesal em 414 imóveis espalhados pelo Centro Histórico, Comércio, Barbalho e Cidade Baixa, foi constatado que apenas 194 deles foram considerados seguros para serem ocupados, 92 apresentavam pequenos problemas estruturais, 46 necessitavam de intervenções imediatas, mas sem riscos iminentes de desabamentos, e outros 82 apresentavam riscos de desabamentos.

No desabamento parcial (já que a fachada continua de pé), ocorrido na manhã desta quarta-feira, ficaram destruídas as três lojas que funcionavam no andar térreo e parte das dependências de um hotel de pernoite, que funcionava nos dois andares superiores. Não houve feridos, mas, no final da manhã, uma outra parede lateral do prédio desabou, causando pânico entre os comerciantes das lojas próximas e os pedestres que passavam pelo local. A Polícia Militar interditou a rua e a Codesal determinou que as demais lojas fechassem as portas, por causa do risco de novos desabamentos.

A vistoria feita no imóvel pela Codesal no ano passado havia constatado que o local não oferecia condições de ser ocupado. Na ocasião, foi encaminhado um relatório à Sucom, que notificou os proprietários do imóvel, que, por sua vez, se comprometeram em fazer as reformas. Contudo, conforme denunciaram os três locatários das lojas que funcionavam no andar térreo do prédio, apesar dos constantes alertas, nenhuma medida foi adotada no período.

AVALIAÇÕES – Apesar do alerta dos técnicos da Defesa Civil, com cópias do estudo sido enviadas para o governo do Estado, através da Conder (Companhia de Desenvolvimento do Estado da Bahia) e Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), a maioria dos prédios continua na mesma situação de riscos, ocupados por famílias e tendo atividades comerciais.

Nos 82 prédios considerados em situação de maior risco, residiam, até o ano passado, 530 pessoas, a maioria delas locatários dos imóveis e que, mesmo tendo sido notificadas pela Codesal, permanecem no local. “É uma situação em que a vida humana fica em perigo, e a interdição desses imóveis seria o melhor caminho, mas encontramos dificuldades porque a maioria desses imóveis é tombada”, se queixa o secretário municipal de Habitação, Antônio Eduardo Abreu.

Ontem o chefe da equipe de vistoria do Iphan, Bruno Tavares, e a arquiteta Maria Rocha Andrade, também do órgão, disseram que o imóvel parcialmente destruído não é tombado individualmente, mas faz parte da área poligonal tombada no entorno da Igreja da Barroquinha. Bruno explicou que será preciso uma análise prévia para saber se haverá condições de o prédio, do qual restou a fachada principal, ser ou não recuperado, mas adiantou que só haverá demolição caso haja impossibilidade de restauração. “Não podemos nos esquecer que faz parte de uma área tombada”, afirmou.

AÇÃO URGENTE – O secretário de Habitação de Salvador, Eduardo Abreu, por sua vez, explicou que não é atribuição da Codesal demolir imóveis – essa tarefa cabe à Sucom. Mas, mesmo nos casos em que a interdição é recomendada, por se tratar de áreas tombadas, só pode intervir com a anuência do órgão federal. Ele disse que será preciso uma ação conjunta entre o Iphan, Conder (que é o órgão que cuida da parte operacional do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia – Ipac) e a própria Codesal para uma ação urgente. Com o aumento das chuvas, a maior preocupação da prefeitura é que muitos dos imóveis relacionados como de riscos não têm obras de restauração. “Em situações como essa, o melhor caminho é a interdição para se evitar uma tragédia”, disse.

Fonte: http://www.atarde.com.br

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