Quadrilhas atacam chácaras em SP

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carlosreis
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Quadrilhas atacam chácaras em SP

Mensagem por carlosreis » 17 Mai 2008, 10:05

Os ataques às chácaras e fazendas, quase sempre com reféns, voltaram com toda a força no interior paulista, sobretudo no eixo da Rodovia Castelo Branco. Bandos fortemente armados e encapuzados atacam de surpresa principalmente nos fins de semana, quando moradores da capital estão presentes. Eles dominam os visitantes e saqueiam a propriedade. Geralmente usam os veículos das vítimas para fugir com o produto do roubo. São comuns os casos de violência física e psicológica.

A ação desses bandidos começa em Ibiúna e avança até Cesário Lange, a 140 quilômetros da capital, passando por São Roque, Mairinque, Itu, Porto Feliz, Cerquilho e Boituva. Sem viaturas para patrulha rural, a polícia não consegue fazer frente à ação dos bandidos. Em Porto Feliz, a Polícia Civil registrou 35 roubos nos três primeiros meses deste ano - 22% a mais que no trimestre anterior -, sendo 12 na zona rural, todos à mão armada.

No restante do Estado, também há problemas. Por causa da violência - e com dois anos de atraso -, a Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), que reúne 243 sindicatos e 360 bases rurais em 580 municípios, anuncia para o segundo semestre o início do Programa de Proteção Preventiva no Meio Rural, que foi criado por um protocolo assinado pelo governador Geraldo Alckmin na Agrishow de 2006, em Ribeirão Preto.

A polícia fará segurança pessoal e patrimonial dos moradores da zona rural e também os orientará na preservação do meio ambiente. Pela contas da Faesp, 210 mil proprietários rurais deverão receber as orientações para ajudar os policiais ambientais na fiscalização das propriedades.

Na região de Sorocaba, o preço dos imóveis rurais desabou. Dezenas de sítios e chácaras, algumas cinematográficas, foram colocadas à venda, a maioria por até metade do valor real. “A violência espantou os compradores”, garante o dono de uma imobiliária que pediu para não ser identificado, com medo de represálias. Há três anos, ele fazia de 10 a 15 negócios com imóveis rurais por mês. Hoje, se consegue duas vendas é muito. “Parei de trabalhar nos fins de semana, pois não há clientela.”

Ele conta que o trecho da Rodovia Marechal Rondon entre Itu e Porto Feliz era conhecido como a “Rua Augusta do Campo” por causa das belas chácaras de empresários, banqueiros, arquitetos de renome e artistas globais. Isso antes de a região virar alvo das quadrilhas. “Os que ficaram são obrigados a montar um esquema de segurança privada que custa até R$ 15 mil por mês.” Apenas entre os clientes do corretor de imóveis, oito foram assaltados nos últimos dois meses. “E muitos não registram a ocorrência ou só fazem isso em São Paulo.”

Em Araçatuba, os preços das chácaras e imóveis chegaram a depreciar 20% por conta da onda de violência na zona rural e no entorno da cidade. A informação de Isaías Bittencourt, vice-delegado do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci) em Araçatuba, pode ser comprovada pelo aumento das ofertas de vendas de ranchos, sítios e chácaras de lazer nos classificados do jornal.

Uma das vítimas de Sorocaba, o dono de um haras, teve a propriedade invadida por um bando encapuzado há cerca de um mês. “Dominaram primeiro os tratadores dos cavalos, depois a família dos caseiros, num total de oito adultos e duas crianças. Encostaram a picape do haras na casa-sede e lotaram a caçamba. Depois, queriam o cofre e, como não tinha, deram um tiro na cabeça do principal garanhão do plantel, animal cotado em mais de R$ 100 mil”, relata um corretor.

As Polícias Civil e Militar e a Guarda Municipal fizeram um mapeamento das áreas mais visadas pelo bando da Castello. De acordo com o comandante da PM, Cirineu Alves de Lima, há blitze nas estradas de acesso às propriedades. Numa delas, foram presos quatro integrantes de uma quadrilha que havia assaltado uma chácara no limite com Itu.

Esse bando, com sete homens encapuzados, manteve sob a mira de armas nove pessoas, incluindo uma criança, enquanto a casa, onde se comemorava um aniversário, era saqueada. Dois dos presos são menores.

Ainda se criou uma ronda que percorre 60 quilômetros de estradas duas vezes por noite. O seccional de Sorocaba, André Moron, disse que a ação de quadrilhas especializadas em roubo a imóveis rurais fez aumentar o índice desses crimes. “Embora a criminalidade em geral esteja caindo, houve aumento fora do padrão no número de roubos nessa região.” Em São Roque, as ocorrências passaram de 20 para 43 no último trimestre, em relação ao anterior, e em Mairinque, de 16 para 21.

Em Ibiúna, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi vítima de um assalto quando passava o carnaval numa chácara de amigos, em fevereiro de 2007. Os bandidos ficaram de três a quatro horas no local, mas não teriam reconhecido o ministro. A polícia prendeu três suspeitos. Em Itu, a fazenda de um ator global foi invadida no início do ano. Ele é um dos que contrataram vigilância 24 horas.
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo

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