Imóvel dobra de preço no Plano Piloto

Avatar do usuário
ruiz
Staff
Staff
Mensagens: 479
Registrado em: 05 Nov 2004, 16:02
Cidade: Porto Alegre
UF: RS
Fone: 51-9 92261244
Localização: Porto Alegre/RS
Contato:

Imóvel dobra de preço no Plano Piloto

Mensagem por ruiz » 23 Set 2007, 16:36

A oferta cada vez maior de crédito por parte dos bancos e construtoras e a escassez de áreas para empreendimentos estão fazendo explodir os preços dos imóveis novos em Brasília. Nas asas Sul e Norte e no Sudoeste, as áreas mais disputadas e caras da capital federal, o valor médio do metro quadrado passou de R$ 2,7 mil para R$ 5,3 mil entre o início de 2003 e setembro deste ano, uma alta de 96%, índice três vezes maior do que a inflação acumulada no período, de 31,8%. Em Águas Claras, que, depois do fiasco dos primeiros anos, finalmente caiu nas graças dos compradores, o salto foi ainda maior: 171%, mais de cinco vezes a variação da inflação.

“É possível dizer, sem medo de errar, que o Plano Piloto, onde já não se levantam prédios residenciais há cerca de quatro anos, está vivendo um movimento muito parecido com o registrado a partir de 1998, na ilha de Manhattan, em Nova York, de supervalorização dos imóveis”, afirma João Carlos de Almeida, diretor Administrativo e Financeiro da JCGontijo Engenharia. Mas ele faz questão de ressaltar: essa supervalorização está longe de se transformar em uma bolha como a que estourou recentemente nos Estados Unidos. Lá, o problema foi que os americanos se endividaram demais, dando como garantia imóveis avaliados a preços astronômicos. “O que está subindo em Brasília e no restante do país é o preço dos imóveis, mas o nível de crédito para a casa própria ainda é muito baixo”, ressalta. Os financiamentos imobiliários no Brasil representam 2% do Produto Interno Bruto (PIB) e 5% do crédito total. No México, com economia semelhante a nossa, essas relações são de 9% e 53%, respectivamente.

O caso mais emblemático da supervalorização está nos empreendimentos construídos às margens do Lago Paranoá. Apartamentos de apenas 30 metros quadrados estão sendo vendidos por R$ 180 mil. Ou seja, R$ 6 mil o metro quadrado. “Trata-se de um valor impensável em boa parte do Brasil, mesmo no Rio de Janeiro e em São Paulo”, afirma o presidente do Conselho Federal dos Corretores de Imóveis (Cofeci), João Teodoro da Silva. Ele afirma que, enquanto os imóveis no Distrito Federal têm se valorizado até cinco vezes vezes acima da inflação, o reajuste, na média do país, não representa duas vezes a alta dos índices de preços.

Sócio da JCGontijo, Rodrigo Nogueira considera um exagero falar em supervalorização de imóveis em Brasília. Para ele, realmente o valor do metro quadrado, especialmente no Plano Piloto, subiu bastante, mas está longe de ser comparado ao de áreas nobres de São Paulo e Rio. Na capital paulista, o metro quadrado de um apartamento no bairro de Vila Nova Conceição custa entre R$ 12 mil e R$ 17 mil. Nos Jardins, vale, em média, R$ 8 mil. No bairro do Leblon, no Rio, o metro quadrado está cotado a R$ 10 mil. Em alguns pontos de Ipanema, chega a R$ 25 mil. “Portanto, considero folclore dizer que imóvel em Brasília é caro”, enfatiza.

Risco de controle
Pelas contas de Antonio Carlos Possati, gerente de Crédito Imobiliário do Banco de Brasília (BRB), o grosso da valorização dos imóveis na capital federal se deu a partir do final de 2004, quando o volume de financiamentos para a compra da casa própria disparou. Tanto os bancos públicos quanto as instituições privadas e as construtoras se sentiram animados em oferecer crédito diante da estabilização da economia. “Os juros caíram e os prazos de pagamento aumentaram. Com isso, as prestações ficaram menores e couberam no orçamento de muitas famílias”, destaca. Além disso, o Congresso aprovou uma série de medidas que deu garantias aos contratos. No caso de calote nas mensalidades, a retomada do imóvel ficou facilitada por meio de um instrumento que os técnicos chamam de alienação fiduciária.

Na avaliação de Possati, o fato de os consumidores estarem assumindo dívidas para a compra de imóveis supervalorizados não causa preocupação. “Os bancos sabem medir muito bem os riscos que correm e os compradores não comprometem mais do que 30% da renda familiar com as prestações. Como os prazos de pagamento podem chegar a até 30 anos, em muitos casos, as mensalidades estão ficando no mesmo patamar — ou abaixo — do aluguel. Por isso, tanta gente está realizando o sonho da casa própria”, assinala o executivo. Ele enfatiza que o BRB estava praticamente fora do mercado. Mas, diante do boom na demanda por imóveis, reabriu a carteira de empréstimos a pessoas físicas. Apenas aos servidores do Governo do Distrito Federal foram disponibilizados R$ 50 milhões.

Maior financiadora de casa própria do país, a Caixa Econômica Federal dá a mais clara demonstração de como o valor dos imóveis de Brasília está avançando a passos largos. No ranking da instituição, o Distrito Federal lidera com os maiores valores médios de financiamento e de garantia. O empréstimo fica em R$ 89 mil contra R$ 65 mil de São Paulo, o estado mais rico do país, e de R$ 74 mil do Rio de Janeiro. A garantia (na verdade, o imóvel) chega a R$ 161,5 mil, contra R$ 118 mil de São Paulo e R$ 130 mil do Rio. “Esses números refletem o quanto os imóveis de Brasília estão caros e exigem maior endividamento por parte dos compradores”, admite João Teodoro da Silva.

Presidente da Royal Empreendimentos Imobiliários, Wildemir Demartini não vê mudanças a curto prazo no segmento imobiliário do DF. “Estamos falando de um mercado muito diferente do restante do país. Há poucos terrenos disponíveis e a maioria está nas mãos de um único dono, o governo local” assinala. Fabrício Garzon, sócio da MGarzon Empreendimentos Imobiliários, vai além. “Brasília não tem freio por ser uma cidade muito nova, ainda em construção, e por causa da imigração”, diz. Portanto, enquanto houver demanda reprimida e escassez de áreas para construção, os preços continuarão embicando para cima. “E esse movimento ficará ainda mais evidente no Plano Piloto. Aqueles que não puderem ou não quiserem pagar os preços de mercado terão de se mudar para o Entorno de Brasília”, avisa.
Vicente Nunes e Luciana Navarro
Do Correio Braziliense

Responder

Voltar para “Plano Piloto”

Quem está online

Usuários navegando neste fórum: Nenhum usuário registrado e 1 visitante