Falta de acessibilidade ainda é problema em Belém

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Falta de acessibilidade ainda é problema em Belém

Mensagem por ceara » 30 Mai 2017, 19:55

Belém é, no Pará, a cidade que concentra o maior número de habitantes e, por consequência, possui o maior número de pessoas com deficiência do Estado. Apesar disso, são muitas as irregularidades relacionadas à mobilidade urbana: nas ruas, nos edifícios, nos transportes públicos e no uso de equipamentos que impedem ou dificultam a livre circulação de indivíduos, tanto das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, quanto dos demais cidadãos.

Jordeci Santa Brígida, coordenador da Associação Paraense das Pessoas com Deficiência (APPD), tem deficiência visual parcial e afirma que os obstáculos no espaço urbano o excluem da sociedade. Morador do distrito de Icoaraci, a 20 quilômetros do centro da capital, ele vivencia a falta de acessibilidade no dia a dia, tanto no transporte público quanto nas avenidas. "A mobilidade urbana em Belém é algo desafiador para mim. Geralmente utilizo o ônibus, que é um transporte totalmente obsoleto, sem qualidade, com plataformas inadequadas", disse Jordeci.

Muitas das calçadas da cidade têm buracos e não há rampas de acesso às faixas de pedestres. Além das calçadas precárias, ainda há a negligência dos motoristas dos transportes públicos da capital, que não respeitam as paradas solicitadas pelos deficientes e, no caso dos cadeirantes, ignoram quando eles fazem sinal.

A ausência de acessibilidade já fez com que a estudante Lorena Oliveira sofresse situações constrangedoras. "Minha maior dificuldade são as calçadas. Além de serem estreitas e desniveladas, sempre tem algo no caminho. Eu gostaria que elas fossem niveladas, sem buracos, sem coisas em cima, que os donos de veículos tivessem respeito e não estacionassem nelas", afirma a universitária de 25 anos, que possui cegueira total desde os 4 anos.

O Censo 2010 do IBGE mostra que, em relação a deficiências locomotoras, 21.239 pessoas no Pará não conseguem se mover de nenhuma maneira, 125.571 possuem grande dificuldade motora e outras 344.442 afirmam ter alguma dificuldade motora. Há ainda 84.194 pessoas com deficiência mental ou intelectual no Estado.

Ana Cristina Santana é moradora do bairro Guamá e tem um filho portador de Paralisia Cerebral Quadriplégica. Felipe tem 3 anos e, devido à doença, não consegue andar e possui outros problemas de mobilidade. A mãe da criança enfrenta grande dificuldade ao sair com o filho cadeirante nas ruas. Ana já chegou a abandonar momentos de lazer por não ter como se locomover com Felipe. “É mais fácil sair de casa com o Felipe no colo, mesmo tendo de aguentar o peso dele. Já tiveram momentos em que tivemos que voltar para casa, porque o elevador do shopping estava quebrado e era a único lugar em que era possível passar com a cadeira de rodas”, conta a mãe de Felipe.

A prefeitura de Belém, por meio de nota da Secretaria Municipal de Urbanismo, informa que já implantou cerca de 8 quilômetros de calçadas com sinalização tátil, que permite a acessibilidade para portadores de necessidades especiais. Alguns locais que já receberam esse modelo: em frente ao cemitério Santa Izabel; na avenida Roberto Camelier; arredores do Colégio Paes de Carvalho; arredores do Hospital do Exército e do Hospital da Aeronáutica. Os locais que ainda não receberam as novas calçadas estão incluídos no orçamento deste ano.

Segundo a prefeitura, todos os novos empreendimentos imobiliários na cidade adotam esse padrão de calçadas, em frente a suas construções, devido a um acordo que a Prefeitura fechou com a Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção do Estado do Pará) e Ademi (Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário). As novas construções devem se adequar a essa exigência, sob pena de não conseguirem a licença final da obra.

A prefeitura, diz a nota, também já reformou e revitalizou mais de 30 praças que receberam reforma de pavimentação e calçadas, que também se adequam ao padrão de acessibilidade,com piso sinalização tátil e rampas de acesso. Ao longo da Augusto Montenegro, de ambos os lados, a população conta com cerca de 20 mil metros quadrados de calçadas largas, niveladas e sinalizadas para garantir acessibilidade, informa a nota da prefeitura.

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